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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Durante o fim-de-semana, durante uma situação que podia mudar o destino de tanta coisa, surge pelo meio da conversa a ideia e a necessidade de pensar sobre a importância que as pessoas acabam por ter na nossa vida, as que passam e as que ficam. Ainda sou demasiado novo para ter medos que não são da minha idade, mas também já demasiado velho para não os saber admitir e lidar com eles, o que assim dito acaba por tornar tudo ainda mais confuso se pensar nisso. A verdade é que pelo meio de alguns conselhos e confissões feitas num tom de voz baixinho, a frase "ela nunca serviu para ti, aliás não serve para gajo nenhum" acaba por me marcar quando estávamos a discutir outros problemas, não deixa de ser algo que nos deixa a pensar que as pessoas que temos, por vezes, por mais que queiramos fazer com que elas sirvam e se adaptem, simplesmente não nos servem; e tudo aquilo que sentimos passar e esvair-se de dentro de nós é apenas tudo o que demos e que por vezes nem tínhamos para dar, mas demos. Assim, somos levados a pensar que fomos apenas os melhores actores de um monólogo, onde falámos e dissertámos sobre o amor, a perda, a traição e a ressaca de perder alguém que julgávamos, nos queria tanto como nós a queríamos. Mas nem sempre queremos a mesma coisa, é bom saber o que queremos, é mau quando não sabemos o que queremos ou não sabemos como querer algo que sempre desejámos, esse provavelmente foi sempre o erro dela. Não sei se servia ou não para mim, para qualquer outro homem também não sei, sei que por comparação a histórias que se contam, coisas que se confessam, há um padrão muito grande de pouca abnegação do amor-próprio, fugaz e montado visualmente para fazer espalhafato, mas que não tem tanta substância quanto parece. A verdade é que contas feitas não há nada que se possa dizer mais, o assunto é algo mais que enterrado e que assim sendo, limita-se a ser algo que acaba por emergir de vez em quando, na ocasional lembrança de certas coisas ou na simples confissão de "às vezes tenho saudades dela, por mais que saiba que aquilo acabaria por não funcionar", o que gera a compreensão óbvia de que nem sempre amamos quem nos faz melhor, nem sempre damos a quem nos sabe dar de volta tudo o que esperávamos, nem sempre temos saudades de quem  sente a nossa falta...e por vezes, quem sente a nossa falta, para nós não nos faz sentido nenhum e ignoramos.
O amor tem demasiados caminhos, estes que se falam são como os outros, não tenho dúvidas, complicados e que implicam sempre o investimento mútuo, não são melhores nem piores que os outros, qualquer um deles pressupõe que façamos o melhor e o pior, que saibamos entender os pontos que há no espectro total de uma relação, vamos discutir como vamos estar bem, vamos amaldiçoar o dia que nos apaixonámos porque nos trouxe a toda esta confusão e vamos dar graças pelo dia que nos sentimos arrebatados, porque a paixão é avassaladora. Vamos deixar-nos levar e vamos levar alguém connosco, nunca sabemos se para sempre ou só até amanhã, sem nunca ter um filtro certo para perceber qual é a pessoa ideal.
Quando me dizem "tens de ter mais cuidado com as pessoas" eu admito que sim, as pessoas são sempre uma surpresa, revelam sempre partes inesperadas, mas não me parece possível entender quem realmente serve, mas admito que há sinais e sinais que não devem ser ignorados, não que agora seja hora de os renegar e chorar por cima deles, está feito e o que havia a fazer devia ter sido feito na altura, bem como tudo o resto que fizemos está feito e nada o pode apagar.
Levamos segredos connosco, levamos histórias que provavelmente nunca partilhámos quando tudo acabou, levamos demasiada coisa connosco, é por isso que o amor nos pesa, é por isso que tanto o vencedor como o derrotado de uma relação que termina são ambos uns desgraçados que no final acabam por sofrer, cada um para o seu canto.
A história poderia nunca ter fim, mas neste caso tem um fim, a conclusão que provavelmente não tinha futuro, seja lá por culpa de quem for, embora eu tenha um suspeito eleito, aliás que muita gente concordará. Mas isso não faz nada senão agravar o sentimento de raiva ou de injustiça, as pessoas mudam e só podemos desejar que nunca tivessem mudado, mas afinal de contas isso se calhar só prova que cresceram e no início eram mais imaturas, se calhar mais do que pensavam que eram, levando-nos à conclusão que há pessoas que acabam por evoluir ao contrário nas relações, quanto mais se pode desejar e querer proximidade, mais se afastam, mais se fecham e mais pensam que se calhar ser criança é uma das melhores coisas que a vida nos pode oferecer, crescer é difícil, ter medo é difícil e enfrentar as coisas como elas são é uma tarefa que não tem estatuto, não tem grau académico nem tem beleza, as pessoas quando não sabem ser o que deviam ser acabam apenas por ser fracas fugitivas do destino que lhes está reservado, consolam-se na ideia de que vão ficar sempre sozinhas porque acabam sempre por estragar tudo, estarão sempre em forma porque irão passar a vida a fugir do que querem realmente fazer.

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